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Charlie Watts foi ovacionado no Maracanã lotado, em 1995, ao ser apresentado por Mick Jagger durante show dos Rolling Stones. Não, no entanto, a primeira vez do baterista – que morreu nesta terça-feira (24), aos 80 anos – no então maior estádio do mundo. Em 1976, durante férias no Rio de Janeiro com a família, Watts esteve também do outro lado, na arquibancada, para assistir a um Fla-Flu.
Watts, assim como outros integrantes da banda inglesa, desenvolveram uma simpatia pelo Fluminense. A relação é atribuída à jornalista tricolor Liège Monteiro, que foi a Londres há quase 50 anos, conheceu alguns músicos da banda e lhes apresentou o clube de Laranjeiras.
A cena é contada por Heitor D’Alincourt, do Flu-Memória, em um episódio que foi exibido no canal Premiere.
Charlie Watts, baterista do Rolling Stones, morre aos 80 anos
“Em 1976, o Charlie Wattts, baterista, vem aqui ao Rio. Ele vai a um Fla-Flu, aí ele vai a uma loja em Copacabana e é fotografado em uma loja em Copacabana comprando camisas do Fluminense, para ele, para a filha, vão ao Maracanã torcer para o Fluminense.”
Naquele ano, o Jornal do Brasil publicava que Watts e a esposa acompanhariam Mick Jagger e Bianca no carnaval carioca, em fevereiro. Em julho, ele retorna à cidade — sempre longe dos holofotes.
Show com quinteto no Canecão
Em 1992, o baterista voltou ao Rio. Não mais de férias, tampouco com os Rolling Stones. Era a turnê de sua banda de jazz, o Charlie Watts Quintet, para dois shows na extinta casa de shows Canecão, em Botafogo.
A expectativa de milhares de espectadores não se concretizou, e a turnê que continuaria por São Paulo acabou sendo interrompida.
Três anos depois, enfim, Watts se apresentaria no Maracanã — cidade pela qual ele já havia se apaixonado, como informava em 13 de maio de 1995 o mesmo Jornal do Brasil.
Charlie Watts dá autógrafos na porta do Hotel Copacabana Palace — Foto: Acervo/TV Globo
O show do Rolling Stones foi considerado um enorme sucesso. Várias publicações da época afirmam que Charlie Watts foi o mais aplaudido.
Assinatura no livro do Copacabana Palace
Depois do show, ele chegou a aparecer na varanda do seu quarto no Hotel Copacabana Palace, de roupão branco. Mais discreto que os demais, foi o primeiro a pedir café da manhã e comeu torradas pretas, acompanhada de café com leite.
Do lado de fora, deu autógrafos aos fãs e registrou sua assinatura também no Livro de Ouro do Copacabana Palace depois das performances em 1998 e 2006.
Autógrafo do Charlie Watts em livro do Copacabana Palace — Foto: Arquivo pessoal/Livro de Ouro do Copacabana Palace
Carismático, ainda que ensimesmado, Watts provocou duas cenas inusitadas na porta do Hotel Intercontinental.
A primeira quando ia deixar o local rumo ao aeroporto e foi aplaudido por um corredor formado por funcionários. A segunda, depois de um “bom dia” lacônico, quando admitiu a jornalistas que acompanhavam sua estadia: “É ótimo estar aqui no Rio”.
Autógrafo de Charlie Watts no livro do Copacabana Palace — Foto: Arquivo pessoal/Livro de Ouro do Copacabana Palace
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