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O evento, organizado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão independente da entidade, foi um pedido do Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística (Cell).
Na audiência, os artistas compartilharam com a comissão suas “experiências e reflexões sobre as violações de liberdade de expressão artística em curso no Brasil”.
“Me dói muito que muitas pessoas vão à rua pedindo a volta do AI-5”, disse Caetano. “Vejo isso terminar se concretizando na eleição de um presidente que representa ameaça à democracia, dizendo repetidas vezes coisas que a gente nem imaginava ouvir… E principalmente notar que isso está entrelaçado com um fenômeno mundial international, uma espécie de onda antidemocrática, para aquilo que antigamente se chamava de direita, depois de extrema-direita, depois de direita alternativa. A gente vai ter que saber lidar com isso e superar defendendo a liberdade de expressão, a variedade de criação artística e entendimento da vida. Acho que o mundo vai ter que lutar muito para superar esse fenômeno”, afirmou.
O Cell é formado pelas organizações Artigo 19, 342 Artes, LAUT, Rede Liberdade, Mídia Ninja, Movimento Artigo Quinto e Samambaia Filantropias.
O movimento “surgiu como uma reação ao quadro de crescente de censura e autoritarismo contra o setor cultural brasileiro e desenvolveu uma plataforma para mapear e acolher denúncias de artistas e profissionais que tiveram seus trabalhos censurados e casos de desmonte da política de cultura no avanço do autoritarismo no país”.
Segundo dados do movimento, mais de 170 casos já foram registrados na plataforma desde 2019 e cerca de 30% dos casos registrados “está vinculado a expressões de gênero e/ou raça e/ou orientação sexual ou possuem motivações religiosas e/ou morais. Além disso, cerca de 67% das ocorrências têm origem em medidas do governo federal”.
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