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♪ OBITUÁRIO – “Eu às vezes penso em fugir / E quero até desistir / Deixando tudo pra trás / É que eu me encontro perdido / Nas coisas que eu criei / E eu não sei”.
Esses versos de Capitão de indústria, música composta por Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle para a trilha sonora da novela Selva de pedra (1972 / 1973), reverberaram em todo o Brasil na voz de Djalma Dias em gravação marcante feita para a trama que mobilizou o país há quase 50 anos, com arranjo do maestro Waltel Branco (1929 – 2018) e o piano do próprio Marcos Valle.
Na certidão de nascimento, Djalma Dias era o paulistano Moacir Batista Lucas (3 de março de 1938 – 24 de junho de 2021), grande cantor que saiu de cena na manhã de hoje, aos 83 anos, na cidade de São Paulo (SP). A morte do artista foi comunicada pela família em rede social sem ter a causa revelada.
Djalma Dias iniciou a carreira na década de 1960, mas viveu o apogeu artístico na primeira metade dos anos 1970. Apadrinhado por João Araújo (1935 – 2013), executivo da indústria fonográfica que comandava na época a gravadora Som Livre, Djalma Dias lançou por essa companhia os dois únicos álbuns da carreira, Destaque (1973) e Não faça drama… Caia no samba! (1974).
No álbum Destaque, Djalma Dias teve a primazia de lançar o então desconhecido Djavan como compositor, gravando a música Desgruda no LP editado em 1973. No álbum de 1974, o cantor gravou, em ritmo de samba-rock, composição da então debutante Leci Brandão, Nada sei de preconceito.
Capa do álbum ‘Não faça drama… Caia no samba!’, lançado por Djalma Dias em 1974 — Foto: Divulgação
Com voz grave que caía com facilidade no suingue, Djalma Dias iniciou carreira como cantor e músico da noite da cidade de São Paulo (SP), cumprindo expediente em casas como O Beco. De 1972 a 1974, Djalma foi nome recorrentes nos créditos dos discos editados pela Som Livre com trilhas de novelas da TV Globo.
Para a trilha de Uma rosa com amor (1972), o cantor gravou Burguês fino trato, parceria de João Donato com os irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. No disco da novela O bofe (1972), Djalma deu voz à música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Quem mandou. Para a trilha de Cavalo de aço (1973), o cantor gravou Homem de verdade, parceria de Guto Graça Mello com Nelson Motta.
No disco da novela O semideus (1973), o intérprete defendeu A volta, uma dos temas da trilha sonora assinada por Baden Powell (1937 – 2000) com Paulo César Pinheiro. Em Os ossos do barão, o cantor cantou Meu velho pai, música de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, compositores recorrentes na discografia de Djalma Dias.
No disco com músicas da novela Supermanoela (1974), o cantor se juntou a Antonio Carlos & Jocáfi – autores da trilha – na gravação de Toró de lágrimas.
Embora fosse reconhecidamente um grande cantor, Djalma Dias viu a carreira perder impulso a partir da segunda metade da década de 1970. Desiludido com o mercado, o cantor foi aos poucos desistindo e deixando tudo pra trás, mas a voz de Djalma Dias permanece imortalizada na memória de quem ouviu as trilhas sonoras das novelas exibidas pela TV Globo entre 1972 e 1974.
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