Certamente já aconteceu com você: em meio a dezenas, talvez centenas de títulos de videogame, incluindo os últimos lançamentos do mercado, você decide dedicar sua tarde de sábado a revisitar aquele velho jogo que jogava há muitos anos. Mesmo com os gráficos claramente ultrapassados, mesmo com a jogabilidade de alguma forma primitiva, você se delicia.
Outro exemplo: apesar dos inúmeros serviços de streaming de áudio que oferecem virtualmente todas as músicas do mundo, em alta qualidade, você insiste em ouvir os (mesmos) sucessos em seu CD player. Ou, em casos extremos, em bolachões de vinil.
Os dois exemplos não são incomuns. Eles refletem um sentimento muito humano que é o apego ao conhecido, àquilo que já foi mastigado e digerido pelo nosso cérebro. E que, não raro, foi associado a alguma memória afetiva. E nossa cabeça está sempre em busca de diversão, preferencialmente aquela testada e aprovada.
Se ainda assim você se pergunta por que alguém preferiria tecnologia obsoleta àquela mais avançada, basta pensar em uma mesa de poker. Em geral, todos os jogadores apostam da maneira mais conservadora possível. Mas, de vez em quando, alguém lança mão de um straddle, uma escolha mais incomum, e portanto menos garantida. Às vezes fazem isso por estratégia, mas geralmente é por pura e simples diversão. Da mesma forma, usuários de tecnologia podem saber o que existe de mais moderno e todos os seus benefícios envolvidos. Mas de vez em quando simplesmente querem fazer algo diferente, e matar a saudade dos bons tempos que viveram junto àquele ultrapassado artefato.
Algumas empresas já identificaram essa tendência ao revival e têm aproveitado para relançar jogos antigos, como a recente versão de Last of Us parte 1. Os consoles também embarcaram na onda de repaginação, e o primitivo (mas adorado) Atari 2600 ganhou uma versão remasterizada para a alegria dos fãs.

Há, porém, o outro lado da moeda: as pessoas que se apegam a velhos hábitos (equipamentos, programas, sistemas operacionais, redes sociais) e se recusam a migrar para os modelos mais atualizados. E aqui é necessário esclarecer que, quando se trata de tecnologia, não há ponto final. Ela está constantemente evoluindo, mudando e se aperfeiçoando. Nem sempre a mudança é alvissareira, e algumas funcionalidades podem se perder pelo caminho. Mas, em geral, as alterações são para melhor e não há uma justificativa razoável para não trocar seu Nokia tijolão por um Smartphone do ano.
Os motivos para esse apego insustentável podem variar. Muitas pessoas têm fobia a tecnologia, e temem que a mudança os vá levar de volta à estaca zero, de onde precisaram passar por um doloroso processo de aprendizado. Para esses, boas notícias: a tecnologia não se modifica 100% a cada nova atualização. Mais comum é que surjam pequenas ou médias alterações, completamente palatáveis até mesmo para o maior dos analfabetos digitais. Porém, se a troca é retardada, as mudanças se acumulam e, aí sim, pode ser um grande salto.
Outro motivo para a resistência é a pura e simples preguiça. Aprender um novo programa, transferir dados para um novo celular ou acumular XP em um novo game são tarefas que dão um certo trabalho e exigem algum tempo e/ou dedicação. Assim como as dietas, é mais fácil deixar para começar na próxima segunda-feira. Sempre na próxima. E assim por diante.
Um último motivo do apego à velha tecnologia é o simples desconhecimento. Muitas vezes o usuário não sabe da existência ou não conhece o funcionamento do substituto natural da tecnologia ultrapassada. Ele crê que o que tem está bom e, eventualmente, que é o melhor disponível. Mas não é. Nunca é. A tecnologia está um passo (ou dez) adiante do que está na prateleira das lojas e, por isso, sempre há algo que faz o que é preciso fazer de maneira melhor, mais rápida e/ou mais fácil. Basta procurar e você encontrará. Se não tem certeza de onde olhar, uma dica: há ótimos sites especializados no assunto que analisam tudo para você. Como esse em que você está.